Pierre-Auguste Renoir: biografia completa do pintor impressionista
Da porcelana de Limoges às Banhistas de Cagnes: sete décadas que remodelaram a figura humana.
Método de leitura
Como ler Renoir em seis marcos biográficos
Renoir não se lê em um único período: é preciso acompanhar as rupturas, as viagens, os retornos, para entender como um pintor de café-concert se torna um pintor mitológico.
Limoges, Paris, a porcelana
Um jovem provinciano entra na arte pelo artesanato: a porcelana, os leques, as persianas. Essa formação paciente explica a precisão de seu toque.
O ateliê Gleyre e o impressionismo
O encontro com Monet no ateliê Gleyre e depois em La Grenouillère faz Renoir migrar para o plein air e a toque clara.
O Baile, o Salon, o sucesso
O Bal du moulin de la Galette (1876) faz de Renoir o pintor das multidões felizes. As encomendas chegam e Renoir se torna caro.
A Itália e o retorno à figura
A viagem à Itália e Rafael colocam em questão a toque dissolvida. Renoir retorna à linha e à carne, sem abandonar a cor.
Cagnes, o período nacarado
O reumatismo se instala. Renoir pinta de uma cadeira, cercado de jovens modelos. O período nacarado (pérolas) produz suas maiores nus.
As Banhistas e o fim
As Banhistas (1918-1919) são pintadas em meio a uma dor extrema. Renoir morre em 3 de dezembro de 1919 em Cagnes, quase cego.
Contexto histórico
Limoges, Paris, a porcelana (1841-1861)

Pierre-Auguste Renoir nasce em 25 de fevereiro de 1841 em Limoges, em uma família modesta. Seu pai Léonard, alfaiate de origem bergamasca, se instala em Paris por volta de 1844 e traz a família. A vida é dura, mas o jovem Pierre consegue trabalhar a partir dos doze anos: é aprendiz nos porcelainistas Lévy frères, onde copia motivos florais em xícaras e pratos. Ali aprende a precisão do traço, a regularidade do ofício e um gosto pela cor aplicada que nunca mais o abandonará.
Em 1858, após a falência dos porcelainistas Lévy, Renoir entra em uma fábrica de leques, onde pinta cenas galantes sobre folhas de seda. É ali que decide se tornar pintor e se inscreve nos cursos noturnos da École des Beaux-Arts. Em 1862, integra o ateliê de Charles Gleyre, onde conhece Alfred Sisley, Frédéric Bazille e, sobretudo, Claude Monet. Esse encontro é o momento decisivo de sua carreira: tira-o do desenho acadêmico puro e o abre para o plein air. É também nessa época que ele posa para seu amigo Bazille: em 1867, o jovem Renoir posa para um retrato que permanecerá um dos mais célebres do pintor de Gleyre.
Estilo artístico
O ateliê Gleyre e o nascimento do impressionismo

No ateliê Gleyre, Renoir se liga a Monet, que se torna seu amigo por quase toda a vida. Os dois jovens pintores trabalham lado a lado na floresta de Fontainebleau, em Chailly, depois à beira do Sena. Em 1869, em Bougival, instalam seus cavaletes em La Grenouillère, um quiosque flutuante sobre o Sena. Esse momento é fundador: Renoir adota ali a toque fragmentada, a paleta clara, a luz vacilante da água. La Grenouillère é ao mesmo tempo uma cena da vida moderna e um manifesto pictórico, e marca a entrada de Renoir no impressionismo.
Em 1870, a guerra franco-prussiana interrompe tudo. Renoir é mobilizado, Monet parte para Londres. Quando a guerra termina, em 1871, Renoir retoma seus pincéis e se instala em Paris. Participa, em 1874, da primeira exposição impressionista na casa de Nadar, com seis quadros entre os quais La Loge e Le Pont de Chatou. A crítica se desencadeia contra o grupo, mas Renoir mantém a posição. No mesmo ano, conhece Victor Choquet, um de seus primeiros colecionadores, que lhe encomenda diversos retratos.

Bal du moulin de la Galette - Pierre-Auguste Renoir
Reprodução do Bal du moulin de la Galette (1876), pintada à mão a óleo sobre tela pela Alpha Reproduction. Obra maior de Montmartre, conservada no Musée d'Orsay.

Le Déjeuner des canotiers - Pierre-Auguste Renoir
Reprodução do Déjeuner des canotiers (1881), pintada à mão a óleo sobre tela. Primeira tela maior da maturidade de Renoir, conservada na Phillips Collection em Washington.

La Grenouillère - Pierre-Auguste Renoir
Reprodução de La Grenouillère (1869), pintada à mão a óleo sobre tela. Obra fundadora do impressionismo, pintada em Bougival ao mesmo tempo que Monet.
Le Bal du moulin de la Galette

Le Bal du moulin de la Galette, pintado em 1876, é a obra que faz de Renoir o pintor das multidões felizes. Essa tela de 131 × 175 cm, conservada no Musée d'Orsay, mostra uma tarde de domingo no moulin de la Galette, em Montmartre: casais dançam, amigos bebem, crianças correm. A luz atravessa as folhas dos castanheiros e corta o espaço em manchas claras e zonas de sombra. Renoir pinta a cena a óleo sobre tela, com toques fragmentados, ao ar livre no motivo — fato raro para uma tela desse tamanho.
A obra é adquirida por Gustave Caillebotte em 1877, que a lega ao Estado por ocasião de sua morte. Enquanto isso, Renoir recebe encomendas de retratos que o colocam ao abrigo das necessidades: a Madame Charpentier et ses enfants (1877), a Jeune Fille au perroquet (por volta de 1877), ou ainda a Première Sortie (1876-1877). O Salon, que havia recusado suas telas nos anos 1860, agora as aceita. Em 1879, a marchand Paul Durand-Ruel organiza uma grande exposição Renoir em Paris: é a primeira retrospectiva dedicada ao pintor.
Itália e retorno à figura

Em 1881, após o sucesso do Bal du moulin de la Galette, Renoir parte para a Argélia com Paul Durand-Ruel, depois para a Itália. Em Roma, ele admira os afrescos de Rafael no Vaticano, e essa viagem desencadeia o que se chamou de «crise impressionista»: Renoir considera que seu toque dissolvido não se sustenta mais diante de Rafael. Ele busca uma maneira nova, que conserve a cor clara do impressionismo, mas que devolva à figura seu peso e seu contorno. O Déjeuner des canotiers (1881, Phillips Collection, Washington) é a primeira grande tela desse novo período.
De volta a Paris, Renoir instala-se na rue Girardon, perto de Montmartre. Conhece Aline Charigot, uma jovem de dezenove anos, modelo e depois companheira. O pintor casa-se com ela em 1890, após o nascimento do filho Pierre em 1885. Aline permanece a figura central da vida e da obra tardia de Renoir: posa para cerca de vinte retratos e inspira a maioria das cenas familiares. No mesmo ano, Renoir descobre Cagnes-sur-Mer, na Côte d'Azur, onde aluga inicialmente a villa des Colettes, antes de retornar todos os anos para longas estadias.
Cagnes, o período nacarado (1890-1910)

Por volta de 1892, Renoir instala-se em Cagnes-sur-Mer para longas estadias e depois definitivamente em 1907. Aluga inicialmente a villa des Colettes e compra em 1907 a fazenda das Collettes, onde instala um ateliê. Em Cagnes, Renoir pinta oliveiras, campos de rosas, vistas da vila medieval, mas sobretudo banhistas e nus femininos que se tornarão o coração de sua obra tardia. Por volta de 1895, um reumatismo severo começa a paralisar seus dedos. Renoir passa a pintar com o pincel amarrado à mão.
O « período nacarado » (às vezes chamado período das pérolas) começa por volta de 1895 e dura até o fim de sua vida. A pincelada se suaviza, a paleta oscila entre o rosa-coral, os nacares e os azuis lavados. As figuras tornam-se monumentais, quase mitológicas. As Grandes Banhistas (1884-1887, Philadelphia Museum of Art) marcam o início dessa busca; as Banhistas (1918-1919, Musée d'Orsay) são o seu apogeu. A carne torna-se o único tema, e a cor a única matéria. Esse período é também aquele em que Renoir começa a esculpir, em colaboração com o ceramista Richard Guino: modela em argila bustos e Vênus, apesar da deformação de suas mãos.
Obras para conhecer
Obras célèbres de Pierre-Auguste Renoir biographie à regarder avant de choisir
Para uma reprodução Pierre-Auguste Renoir biographie pintada à mão, um quadro Pierre-Auguste Renoir biographie a óleo ou uma cópia de quadro Pierre-Auguste Renoir biographie, o mais útil é comparar várias imagens: os dourados, os rostos, a densidade dos padrões e a maneira como cada obra se sustenta na parede.
- Retrato de Renoir por Frédéric Bazille (1867) - Pierre-Auguste RenoirReprodução do Retrato de Renoir por Frédéric Bazille (1867), pintada à mão a óleo sobre tela pela Alpha Reproduction. Óleo sobre tela do Musée d'Orsay, pintado pelo amigo de Renoir no ateliê Gleyre.
- Baile no Moulin de la Galette - Pierre-Auguste RenoirReprodução do Baile no Moulin de la Galette (1876), pintada à mão a óleo sobre tela pela Alpha Reproduction. Quadro majeur de Montmartre, conservado no Musée d'Orsay.
- O Almoço dos Remadores - Pierre-Auguste RenoirReprodução do O Almoço dos Remadores (1881), pintada à mão a óleo sobre tela. Primeira tela majeur da maturidade de Renoir, conservada na Phillips Collection em Washington.
- La Grenouillère - Pierre-Auguste RenoirReprodução de La Grenouillère (1869), pintada à mão a óleo sobre tela. Obra fundadora do impressionismo, pintada em Bougival ao mesmo tempo que Monet.
- As Grandes Banhistas - Pierre-Auguste RenoirReprodução das Grandes Banhistas (1884-1887), pintada à mão a óleo sobre tela. Obra charnière da maturidade tardia, conservada no Philadelphia Museum of Art.
Decoração de interiores
Os últimos anos: pintar até o fim

Os dez últimos anos de Renoir são os de uma luta física contra a doença. O reumatismo deforma seus ombros, punhos e dedos. Por volta de 1910, Renoir já não consegue mais andar. É instalado em uma cadeira de rodas diante do cavalete, com o pincel amarrado à mão por uma faixa de tecido. Pinta todos os dias, cercado por suas modelos, sua família e seus visitantes habituais: artistas como Monet, Matisse e Picasso se interessam por seu trabalho, e Picasso faz várias visitas ao pintor quase cego em seu ateliê em Cagnes.
Em 1917, Aline Renoir morre. Renoir pinta seu luto. Em 1918, pinta uma última série de Banhistas, entre as quais a grande tela conservada no Musée d'Orsay, datada de 1918-1919, é provavelmente a última obra pintada por Renoir. Ele falece em 3 de dezembro de 1919 em Cagnes-sur-Mer. Deixa para trás uma obra considerável — cerca de 4.500 quadros, centenas de pastéis, esculturas, cerâmicas — distribuída nos maiores museus do mundo: Orsay, Marmottan, Metropolitan, National Gallery de Londres, Museu da Filadélfia.
Reproduzir Renoir à mão a óleo sobre tela é, portanto, reencontrar essa fidelidade à carne e à cor que atravessa sessenta anos de trabalho. A toque nutrido do Moulin de la Galette, o modelado rosado das Banhistas tardias, a precisão das flores de porcelana de sua juventude: tudo isso exige a mão de um artista de ateliê, que sobreponha camadas, trabalhe a espessura da matéria, respeite a paleta. Uma impressão, mesmo de qualidade, nunca reproduz o que uma pintura a óleo feita à mão pode oferecer: a presença da matéria, a vibração da pincelada e esse diálogo entre a cor e a luz que é a assinatura de Renoir.
| Cômodo | Sugestão | Efeito decorativo |
|---|---|---|
| Sala de estar luminosa ou sala de jantar | Le Déjeuner des canotiers, formato médio ou grande | Define imediatamente o tom do final do século XIX, com calor e intimidade, sem sufocar o ambiente graças às tonalidades claras do fundo. |
| Escritório ou quarto | La Première Sortie, formato médio | Ideal como retrato, dá profundidade ao cômodo e cria um diálogo com a luz natural. |
| Entrada ou corredor | Pequena natureza morta com flores ou buquê | Prepara o olhar do visitante, dá o tom impressionista logo na entrada. |

As Grandes Banhistas - Pierre-Auguste Renoir
Reprodução das Grandes Banhistas (1884-1887), pintada à mão a óleo sobre tela. Obra divisora da maturidade tardia, conservada no Philadelphia Museum of Art.

Banhistas - Pierre-Auguste Renoir
Reprodução das Banhistas (por volta de 1918-1919), pintada à mão a óleo sobre tela. Obra última de Renoir, conservada no Musée d'Orsay.
Para continuar a visita
Fontes, coleções e caminhos realmente ligados ao tema
Algumas referências úteis para verificar as informações, comparar imagens livres e prolongar a leitura sem precisar ir a um museu que não pediu nada.
Coleção do artista relacionada
Reproduções pintadas à mão dos quadros de Renoir
- Retrato de Renoir por Frédéric Bazille - Pierre-Auguste Renoir
- Bal du moulin de la Galette - Pierre-Auguste Renoir
- Le Déjeuner des canotiers - Pierre-Auguste Renoir
- La Grenouillère - Pierre-Auguste Renoir
- Les Grandes Baigneuses - Pierre-Auguste Renoir
- Baigneuses - Pierre-Auguste Renoir
- Madame Charpentier et ses enfants - Pierre-Auguste Renoir
- La Première Sortie - Pierre-Auguste Renoir
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FAQ
Perguntas frequentes sobre a biografia de Pierre-Auguste Renoir
Quem foi Pierre-Auguste Renoir?
Pierre-Auguste Renoir (1841-1919) foi um pintor francês, um dos fundadores do impressionismo ao lado de Monet. Ele se especializou na figura humana, de cenas de café-concerto aos nus mitológicos tardios, e pintou cerca de 4500 quadros em quase sessenta anos de carreira.
Onde ver as obras de Renoir hoje?
Os Renoir estão distribuídos entre os maiores museus do mundo: Musée d'Orsay e Musée Marmottan Monet em Paris, Metropolitan Museum em Nova York, National Gallery em Londres, Museu da Filadélfia (Les Grandes Baigneuses), Phillips Collection em Washington (Le Déjeuner des canotiers), Musée de l'Orangerie, e a vila-museu dos Collettes em Cagnes-sur-Mer.
Por que Renoir mudou de estilo por volta de 1883?
Após sua viagem à Itália em 1881-1882, onde admira Rafael no Vaticano, Renoir atravessa o que se chamou a crise impressionista: sua pincelada dissolvida lhe parece agora frágil demais diante da grande tradição. Ele retorna à linha e ao modelado, mantendo ao mesmo tempo a cor clara, e é esse compromisso que define seu período de maturidade.
Como Renoir continuou a pintar apesar do reumatismo?
Por volta de 1895, um reumatismo severo deforma seus dedos e ombros. Renoir pinta com o pincel amarrado à mão, sentado em uma cadeira de rodas, até sua morte em 1919. A última tela conhecida, Les Baigneuses (1918-1919, Musée d'Orsay), foi pintada nessas condições extremas.

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