Top 50 — Romantismo

Os pintores românticos famosos

De Géricault a Friedrich, de Delacroix aos Pré-Rafaelitas, 100 anos de arte em estado de choque

O romantismo é um tremor de terra pictórico. Nascido na Inglaterra e na Alemanha nos anos 1800, ele invade a França após 1815 com Géricault e Delacroix, desestabiliza o neoclassicismo, exalta a natureza selvagem, as tempestades interiores, os naufrágios e as criaturas de sonho. Este Top 50 percorre 100 anos de um movimento que inventou o artista moderno — do Goya visionário aos Pré-Rafaelitas britânicos, passando pela Hudson River School e os simbolistas tardios.

Wikimedia CommonsWikidataLouvre & Musée d'OrsayWikipedia
1800 Nascimento do romantismo pictórico europeu
100 Anos de influência (1800-1900), de Friedrich a Moreau
11 Países representados neste ranking
Edição 2026 Théodore Géricault — Le Radeau de la Méduse (1818-1819), óleo sobre tela fundadora do romantismo francês, conservado no Louvre
50
Pintores

100 anos de romantismo europeu

Contexto

O que torna esses pintores essenciais?

O romantismo na pintura começa antes da letra: Francisco Goya, William Blake, Henry Fuseli e Caspar David Friedrich abrem a brecha já nos anos 1800, pintando o que o neoclassicismo se recusava a ver — os pesadelos, as ruínas, os fantasmas e as paisagens sublimes. A partir de 1815, Géricault detona a bomba com Le Radeau de la Méduse, seguido por Delacroix, que transforma o movimento em manifesto político e orientalista. A competição entre escolas nacionais — britânica (Turner, Constable), alemã (Friedrich, Runge), francesa (Delacroix, Géricault, Daumier) — confere ao romantismo uma riqueza e uma variedade únicas na história da arte.

Este Top 50 combina três critérios: a contribuição teórica e estilística para o movimento romântico, a difusão museológica atual (Louvre, National Gallery, Prado, Alte Nationalgalerie) e a capacidade de falar ainda hoje. Cada ficha propõe um retrato, uma obra emblemática e um link direto para a coleção de reproduções correspondente em nossa loja.

Esta página foi pensada como um guia de leitura, não como um hit-parade. Os pintores são agrupados por gerações e por escolas nacionais para tornar visíveis as filiações e as tensões entre os romantismos britânico, alemão, francês, eslavo e americano. Os números são indicativos — uma posição 35 não é "menos boa" que uma posição 5, é apenas mais tardia ou mais periférica.

Precursores e pais fundadores (1750-1830)

Goya, Blake, Friedrich, Turner — a centelha romântica

Tudo começa nos anos 1800, em uma Europa que viu a Revolução Francesa e as guerras napoleônicas. Francisco Goya pinta Os Caprichos (1799) e Os Desastres da guerra (1810-1820) na Espanha. William Blake inventa na Inglaterra uma poesia visual que mistura mitologia e profecias. Caspar David Friedrich compõe na Alemanha paisagens metafísicas onde o homem contempla o infinito. J.M.W. Turner, John Constable, Antoine-Jean Gros, Philipp Otto Runge abrem caminho para o que se tornará o grande movimento romântico dos anos 1820-1850.

#1Francisco Goya

1746-1828 · Espanhol · romantismo

#2Henry Fuseli

1741-1825 · Suíço-britânico · romantismo

#3William Blake

1757-1827 · Britânico · romantismo
William Blake (1757-1827) é o mais inclassificável dos românticos britânicos. Vindo de um meio modesto de Londres, foi inicialmente aprendiz de gravador com o mestre do baixo-relevo James Basire, depois estudou na Royal Academy. Ali rejeitou o ensino oficial, preferindo a cópia dos mestres góticos e venezianos. Em 1789, publicou Songs of Innocence, uma coletânea de poemas ilustrados por suas próprias gravuras. Desenvolveu uma técnica singular, a "relief etching", que permite reproduzir texto e imagem em uma mesma placa. A série dos Livros proféticos (1794-1804), ilustrando suas visões pessoais, é sua obra-prima esotérica. Blake mistura ali mitologia, religião, política e matemática em composições alucinadas. Sua influência sobre o simbolismo, os pré-rafaelitas e a contracultura do século XX é imensa, mesmo que seus contemporâneos o considerassem louco. Morre na indiferença geral em Londres em 1827. Hoje, Blake é reconhecido como um dos pais fundadores da arte moderna, ao mesmo tempo poeta, pintor e profeta de uma visão interior que não envelheceu nem um dia. Deve incluir 1-2 datas precisas e verificáveis (local/ano). Sem listas ou títulos. Não deve começar com o nome do pintor. Apenas o parágrafo.
Ler na Wikipedia William Blake

#4Caspar David Friedrich

1774-1840 · Alemão · romantismo

#5Philipp Otto Runge

1777-1810 · Alemão · romantismo
Philipp Otto Runge (1777-1810) é um dos fundadores da pintura romântica alemã, reduzido com muita frequência à figura de Caspar David Friedrich. Nascido em Wolgast, na Pomerânia, em uma família de comerciantes, forma-se em Hamburgo e depois na Academia Real de Copenhague, antes de ir para Dresden, onde se une a Friedrich von Hardenberg (Novalis) e ao pintor Caspar David Friedrich. Morre prematuramente aos 33 anos, em 1810, vencido pela tuberculose. Sua obra mescla simbolismo místico, teosofia de Jakob Böhme e teoria das cores: publica no mesmo ano um tratado intitulado Farbenkugel (a Esfera das cores) que antecipa as pesquisas de Chevreul e de Rood. Suas obras-primas são A Manhã (1808), painel central do ciclo As Quatro Horas do dia, e o retrato de família Wir drei (Nós três, 1805). Uma reprodução de Runge é a garantia de ter em casa um dos elos perdidos entre o romantismo alemão e o simbolismo europeu. Minado pela tuberculose, apagou-se prematuramente em 2 de dezembro de 1810 em Hamburgo, com apenas trinta e três anos, deixando inacabada sua ambiciosa série dos Tageszeiten. Seu diário íntimo, publicado postumamente, assim como suas reflexões sobre a cor, exerceram uma influência duradoura sobre os Nazarenos e os pioneiros da arte abstrata, sendo seu simbolismo místico redescoberto no século XX.
Ler na Wikipedia Philipp Otto Runge

#6J.M.W. Turner

1775-1851 · Britânico · romantismo
Joseph Mallord William Turner (1775-1851) é o mais visionário dos paisagistas britânicos. Filho de um barbeiro londrino, ingressa na Royal Academy com apenas 14 anos e expõe sua primeira aquarela aos 15. A partir de 1796, percorre a Inglaterra e o continente para desenhar vistas que se tornarão a base de suas pinturas posteriores. Suas primeiras telas a óleo, como Pescadores no mar (1796), mostram já uma maestria do movimento das ondas e da luz crepuscular. No Salão de 1802, seu quadro Calma no mar desperta o entusiasmo parisiense. Turner viaja pela França, Suíça e Itália, acumulando esboços de tempestades, naufrágios e montanhas em chamas. Suas obras tardias, como Chuva, vapor e velocidade (1844) ou o quadro póstumo O Desembarque de Géricault o fascinam, tornam-se quase abstratas. Ele antecipa o impressionismo francês em quase cinquenta anos. Por ocasião de sua morte em 1851, lega à nação britânica a totalidade de seu ateliê, ou seja, mais de 300 quadros e 19.000 desenhos. Turner é o ancestral direto da abstração lírica e um dos raros pintores a ter revolucionado duas vezes a pintura de paisagem.
Ler na Wikipedia J.M.W. Turner

#7John Constable

1776-1837 · Britânico · romantismo
John Constable (1776-1837) é o paisagista romântico que renovou de forma mais profunda a arte do campo inglês. Nascido em East Bergholt, em Suffolk, filho de moleiro, recusou o ofício familiar imposto pelo pai para estudar na Royal Academy. Iniciou em 1819 A Carroça de Feno, vasta tela que retomaria durante seis anos e que causou sensação no Salão de Paris de 1824, ao lado do O Angelus de Millet. Constable ali mostra uma chuva de verão, nuvens de tempestade, uma tração de camponês — algo jamais visto na pintura britânica. Foi eleito membro da Royal Academy em 1829, tornou-se o grande rival de Turner e formou toda uma geração de paisagistas. Suas seis Feet of de la Stour (Vale do Stour) são monumentos da paisagem moderna. Uma reprodução de Constable, colocada em um escritório ou em uma sala iluminada, é a Inglaterra vista por um inglês.
Ler na Wikipedia John Constable

#8Antoine-Jean Gros

1771-1835 · Francês · romantismo

#9Carl Gustav Carus

1789-1869 · Alemão · romantismo
Carl Gustav Carus (1789-1869) é ao mesmo tempo médico, pintor e teórico da arte, uma das figuras mais completas do romantismo alemão. Nascido em Leipzig, estuda medicina e torna-se o médico pessoal do rei da Saxônia, ao mesmo tempo em que leva uma carreira paralela de pintor. Conhece Caspar David Friedrich em 1817 e torna-se seu amigo próximo — aliás, publica em 1815 um tratado Nove cartas sobre a pintura de paisagem considerada como arte simbólica. Suas próprias paisagens, frequentemente alpestres ou costeiras, prolongam a estética friedrichiana com uma sensibilidade mais cósmica. Pinta também retratos psicológicos de grande finesse, entre eles o de Goethe. Membro de diversas academias, Carus é eleito presidente da Academia de Belas-Artes de Dresden em 1862. Uma reprodução de Carus é a união rara do pincel e do bisturi.
Ler na Wikipedia Carl Gustav Carus

#10Théodore Géricault

1791-1824 · Francês · romantismo

O apogeu francês e britânico (1815-1850)

Delacroix, Constable, Bonington — os romantismos em concorrência

O coração pulsante do movimento: Géricault e Delacroix pelo lado francês, Turner e Constable pelo britânico. Paul Delaroche inventa a pintura de história sentimental, Horace Vernet o orientalismo de Salão, Ary Scheffer o melodrama religioso. Richard Parkes Bonington, morto aos 25 anos, sintetiza em algumas telas luminosas todo o espírito romântico da pintura ao ar livre. Eugène Isabey, Eugène Lami, John Martin, Samuel Palmer, Francis Danby prolongam a veia em direções muito diferentes.

#11Eugène Delacroix

1798-1863 · Francês · romantismo

#12Ary Scheffer

1795-1858 · Holandês-francês · romantismo
Ary Scheffer (1795-1858) é o pintor holandês naturalizado francês que levou o romantismo religioso ao seu mais alto grau de suavidade. Nascido em Dordrecht, numa família modesta, instala-se em Paris em 1811, onde entra no ateliê de Pierre-Narcisse Guérin. A partir dos anos 1820, especializa-se em temas literários e religiosos: Fausto e Margarida, Francesca da Rimini, o Dante, os Sofrimentos de Cristo, cenas de pathos contido que causam sensação no Salão. Torna-se o retratista predileto da família d'Orléans e da família real belga. Seus quadros religiosos tardios, como O Cristo consolador (1851), alcançam uma intensidade mística que toca tanto católicos quanto protestantes. Morre em Argenteuil em 1858. Uma reprodução de Scheffer é a alma romântica europeia vista por um protestante cosmopolita que sabia comover sem brutalidade. Atingido por uma longa doença, Ary Scheffer faleceu em Argenteuil em 15 de junho de 1858, após ter conhecido um último período marcado por obras religiosas impregnadas de espiritualidade. Suas funeralhas, celebradas na igreja da Madeleine em Paris, reuniram uma multidão imensa de artistas, escritores e altas personalidades políticas, testemunhando a estima de que gozava. Sua influência sobre a pintura romântica francesa já se esvaía no crepúsculo de sua vida, mas seu legado permaneceu vivo, sobretudo na Holanda, onde nasceu em 1795.
Ler na Wikipedia Ary Scheffer

#13Paul Delaroche

1797-1856 · Francês · romantismo

#14Horace Vernet

1789-1863 · Francês · romantismo
Horace Vernet nasceu em Paris em 30 de junho de 1789, o ano das tempestades revolucionárias, em uma linhagem onde a pintura era quase uma herança genética. Seu avô Joseph havia imortalizado os portos mediterrâneos, e seu pai Carle reinava na pintura equestre. Horace mal podia escapar de um destino tão cromático. Aluno natural de seu pai, destacou-se rapidamente, expondo no Salon a partir de 1812 e conquistando a medalha de ouro em 1814 por um Combat de Nazareth. Seu estilo, na encruzilhada do romantismo e de uma veia acadêmica tingida de patriotismo, distinguiase por uma virtuosidade fulgurante e uma predileção por cenas militares, batalhas napoleônicas e temas orientalistas. Pintor oficial dos exércitos sob a Restauração, percorreu a Itália, a Argélia e a Rússia, trazendo de cada viagem uma matéria abundante. A Bataille de Bouvines e La Prise de la smalah d'Abd-el-Kader estão entre suas telas mais marcantes, sem esquecer seus retratos de soberanos europeus, que executava com a desenvoltura de um dândi cosmopolita. Contemporâneo de Géricault e Delacroix, Vernet ocupa um lugar singular no romantismo: menos atormentado que o primeiro, menos flamboyant que o segundo, ele encarna um romantismo oficial e heroico onde a glória militar prevalece sobre o spleen. Diretor da Académie de France em Roma de 1829 a 1835, impôs um modelo de pintor viajante, ágil e brilhante, a mil léguas do criador maldito.
Ler na Wikipedia Horace Vernet

#15Richard Parkes Bonington

1802-1828 · Inglês · romantismo

#16Eugène Isabey

1803-1886 · Francês · romantismo

#17Eugène Lami

1800-1890 · Francês · romantismo
Eugène Lami (1800-1890) é um dos grandes aquarelistas e litógrafos românticos franceses. Nascido em Paris em uma família de oficial, foi primeiramente aluno de Horace Vernet e de Louis-Léopold Boilly, antes de ingressar na École des Beaux-Arts em 1816. Viajou pela Inglaterra, Escócia, Itália e Espanha, de onde trouxe aquarelas requintadas, cenas de regatas, caçadas, interiores aristocráticos. Suas ilustrações para o Livro dos sonetos de Shakespeare (1828) e para os Contes drolatiques de Balzac marcaram época na história da litografia romântica francesa. Tornou-se o aquarelista oficial da corte de Louis-Philippe, expondo regularmente no Salon. Morreu em 1890, coberto de honrarias, após mais de sessenta anos de carreira. Uma reprodução de Lami é a elegância aristocrática do século XIX fixada em aquarela.
Ler na Wikipedia Eugène Lami

#18John Martin

1789-1854 · Britânico · romantismo

#19Samuel Palmer

1805-1881 · Britânico · romantismo

#20Francis Danby

1793-1861 · Irlandês · romantismo

Escolas germânicas, eslavas, italianas e americanas (1810-1880)

Nazarenos, escola russa, Itália romântica e Hudson River

O romantismo se internacionaliza. Os nazarenos alemães (Overbeck, Schnorr, Carolsfeld) reinventam a arte religiosa medieval, Carl Blechen explora o conto popular e a ruína. Karl Friedrich Lessing, Karl Bryullov, Orest Kiprensky, Vasily Tropinin, Ivan Aivazovsky fundam a escola romântica russa, entre o classicismo bizantino e tempestades marítimas sublimes. Ford Madox Brown abre o caminho para os Pré-Rafaelitas britânicos. Do outro lado do Atlântico, Thomas Cole, Asher Brown Durand, Albert Bierstadt inventam a Hudson River School americana, que fará das paisagens do Novo Mundo a última grande aventura do sublime romântico.

#21Thomas Cole

1801-1848 · Americano · romantismo

#22Asher Brown Durand

1796-1886 · Americano · romantismo
Asher Brown Durand (1796-1886) é o líder da Hudson River School americana, um dos pais fundadores da paisagem romântica nos Estados Unidos. Nascido em Maplewood, em Nova Jersey, começou como aprendiz de um gravador e depois se formou em pintura com Thomas Cole. Foi cofundador da National Academy of Design em 1826 e tornou-se seu presidente em 1845. Sua viagem à Europa em 1853, acompanhado pelo pintor John Frederick Kensett, revela sua admiração pelos mestres holandeses e por Constable. Em seguida, instalou-se em Nova York e pintou suas grandes paisagens dos Adirondacks e dos Catskills, onde a natureza americana é tratada com o mesmo sopro sublime das Alpes de Turner ou das campinas de Constable. Kindred Spirits (1849), sua homenagem a Thomas Cole, falecido no ano anterior, é a obra emblemática da escola americana. Uma reprodução de Durand é o Grande Norte americano sem sair do sofá. Após uma carreira dedicada à paisagem romântica americana, retirou-se para Nova Jersey, onde prosseguiu com seus estudos minuciosos da natureza até uma idade avançada. Eleito primeiro presidente da National Academy of Design, conservou uma influência considerável sobre a jovem geração de pintores até sua morte, em 17 de setembro de 1886, em Jefferson Village, sua cidade natal.
Ler na Wikipedia Asher Brown Durand

#23Ford Madox Brown

1821-1893 · Britânico · romantismo

#24Carl Blechen

1798-1840 · Alemão · romantismo
Carl Blechen (1798-1840) é um dos paisagistas românticos alemães mais inventivos, por tempo demais esquecido em proveito de Friedrich. Nascido em Cottbus, em uma família de pequenos comerciantes, estuda na Academia de Berlim a partir de 1815. Suas paisagens italianas, pintadas durante uma estadia em Roma em 1828-1829, rompem com o idealismo friedrichiano por um toque vibrante, quase expressionista, e uma atenção nova aos efeitos de luz e às arquiteturas industriais. Suas vistas da catedral de Trèves, suas cenas portuárias de Berlim, seus bosques noturnos são de uma modernidade surpreendente. O rei Frederico Guilherme IV da Prússia, que o admira, concede-lhe uma pensão. Mas Blechen sofre de transtornos psíquicos e morre aos 42 anos, em Berlim, em 1840. Uma reprodução de Blechen é a Alemanha romântica vista por um pintor que inventou a luz elétrica antes da hora. Atingido por uma grave depressão, teve de deixar sua cadeira na Academia de Berlim em 1835 e foi internado várias vezes. Esgotado pela doença, faleceu na miséria em Berlim, em 23 de julho de 1840, com apenas quarenta e dois anos. Por muito tempo esquecido, sua obra expressionista avant la lettre só foi verdadeiramente redescoberta no início do século XX, influenciando os modernos.
Ler na Wikipedia Carl Blechen

#25Julius Schnorr von Carolsfeld

1794-1872 · Alemão · romantismo
Julius Schnorr von Carolsfeld (1794-1872) é um dos principais mestres do movimento nazareno alemão, a meio caminho entre o romantismo e o retorno à Idade Média. Nascido em Leipzig, estuda em Viena e depois em Roma, onde ingressa na confraria de São Lucas, ao lado de Friedrich Overbeck e Peter von Cornelius. De volta à Alemanha em 1827, é nomeado professor na Academia de Munique e depois na de Dresden. É conhecido sobretudo por suas ilustrações monumentais da Bíblia (Bibel in Bildern, 1860), um dos grandes livros ilustrados do século XIX, reeditado mais de 200 vezes. Seus grandes afrescos da Sala da Paciência, no Palácio de Munique, ilustram a história de Carlos Magno. Uma reprodução de Schnorr é a Alemanha do Sacro Império vista por um romântico que acreditava nos anjos. Schnorr marcou a ruptura entre o romantismo tardio e o retorno ao neogótico alemão. Seus afrescos, vitrais e ilustrações bíblicas alimentaram o imaginário nacional alemão até o século XX, em plena era wagneriana. Aposentado da Academia de Dresden em 1871, dedicou-se à edição definitiva de sua célebre Bíblia ilustrada, publicada nesse mesmo ano em Leipzig, que teve uma repercussão considerável no mundo germânico. Faleceu em 24 de maio de 1872 em Dresden, deixando a imagem de um mestre fiel aos ideais nazarenos até o fim.
Ler na Wikipedia Julius Schnorr von Carolsfeld

#26Karl Friedrich Lessing

1808-1880 · Alemão · romantismo
Karl Friedrich Lessing (1808-1880) é um dos grandes pintores de história do romantismo alemão. Nascido em Dresden numa família de artistas — ele é sobrinho do poeta Gotthold Ephraim Lessing —, estudou na Academia de Berlim e depois em Düsseldorf com Wilhelm von Schadow. A partir de 1830, impôs-se como especialista em temas históricos e religiosos, na linhagem dos nazarenos, mas com uma intensidade dramática mais sombria. Sua grande tela Martinho Lutero no Sínodo de Worms (1837) fez dele o porta-bandeira do protestantismo histórico, exposta na Nationalgalerie de Berlim. Menos conhecido que Friedrich ou Runge, Lessing é nevertheless essencial para compreender a institucionalização do romantismo alemão no século XIX. Dirigiu a Academia de Düsseldorf de 1858 a 1867 e formou toda uma geração de pintores históricos. Suas paisagens tardias, como as da Floresta Negra, mostram uma sensibilidade próxima à escola de Barbizon francesa. Morreu em 1880 deixando uma obra abundante, hoje dispersa entre Berlim, Dresden e Düsseldorf, e uma influência considerável sobre o historicismo europeu.
Ler na Wikipedia Karl Friedrich Lessing

#27Karl Bryullov

1799-1852 · Russo · romantismo
Karl Bryullov (1799-1852) é o mestre russo que eletrizou o romantismo eslavo. Nascido em São Petersburgo numa família de artistas (seu pai era escultor, seu avô também), estudou na Academia Imperial de Belas-Artes e depois em Roma, onde passou quase 12 anos. O Último Dia de Pompéia (1830-1833), sua tela monumental, causou sensação em toda a Europa: mostra a erupção do Vesúvio em pleno drama, com uma precisão arqueológica inaudita e um senso do patético que renova a herança de Michelangelo. De volta à Rússia, torna-se retratista da aristocracia, pintando oficiais, poetas e damas da alta sociedade com um toque elegante. Viaja à Espanha, a Malaga, onde pinta mouras de uma sensualidade discreta. Bryullov morre em 1852 perto de Manziana, na Itália. Uma reprodução de Bryullov é o Império Russo em seu apogeu criativo, a meio caminho entre a academia e o romantismo incandescente.
Ler na Wikipedia Karl Bryullov

#28Orest Kiprensky

1782-1836 · Russo · romantismo
Oreste Kiprenski nasce em 1782 às margens do Neva, em São Petersburgo, numa família de antigos servos da corte. Seu pai, homem de poucos recursos, mas sua mãe possuía um raro instinto artístico. A lenda quer que ela tenha anotado, quase com ironia, no registro paroquial o nome de Oreste — "para que ele seja selvagem como o herói". A criança não decepciona: enviado à Academia Imperial de Artes já em 1788, torna-se um de seus alunos mais precoces, trabalhando sob a orientação de Chatski e Lossenko. Em 1805, obtém a grande medalha de ouro por um Retrato do ator Vakhtangov, distinção que lhe abre as portas da pensão imperial em São Petersburgo. Apagado em Roma em 1836, com apenas cinquenta e quatro anos, Oreste Kiprensky deixou uma obra inacabada, mas determinante para a arte russa. Seu gênio, amadurecido sob o céu italiano, continuou a irradiar muito depois de sua partida. Seus retratos, onde vibram uma sensibilidade quase musical e uma nobreza interior, tornaram-se modelos para a geração seguinte, inspirando notamment Brioullov e o círculo da Academia. Para além das fronteiras, sua elegância romântica alimentou o diálogo entre as escolas eslavas e ocidentais.
Ler na Wikipedia Orest Kiprensky

#29Vasily Tropinin

1776-1857 · Russo · romantismo

#30Ivan Aivazovsky

1817-1900 · Russo-armênio · romantismo
Ivan Aivazovsky (1817-1900) é o mais célebre dos pintores de marinas românticas. Nascido em Teodósia, na Crimeia, em uma família armênia, ingressou na Academia Imperial de Belas Artes de São Petersburgo aos 17 anos e depois partiu para a Itália, onde se tornou pintor oficial da marinha napolitana. De volta à Rússia, pintou milhares de marinas, batalhas navais, cenas de naufrágios e pores do sol sobre o Mar Negro, com uma virtuosidade cromática inaudita. A Nona Onda (1850), sua tela mais famosa, está conservada no Museu Russo de São Petersburgo. Viajou pelo Egito, Grécia e França, onde foi feito cavaleiro da Legião de Honra em 1857. Pintou até sua morte em 1900, em Teodósia, cidade da qual foi prefeito e para a qual financiou a abertura de uma escola de arte. Uma reprodução de Aivazovsky é o mar como sonhamos: revolto, mas sublime.
Ler na Wikipedia Ivan Aivazovsky

Continuadores, ilustradores e cosmopolitas (1830-1880)

Daumier, Corot, Doré — o romantismo ao longo do tempo

No coração do século XIX, o espírito romântico se prolonga e se transforma. Honoré Daumier faz dele um instrumento de sátira social, Jean-Baptiste-Camille Corot um pretexto para a paisagem moderna, Gustave Doré uma mídia de massa por meio da ilustração. Théodore Chassériau sintetiza Delacroix e Ingres em nus orientalistas suntuosos. François-Auguste Biard explora as margens orientalistas e polares, Thomas Couture as cenas mundanas e históricas. Ferdinand Georg Waldmüller representa o romantismo tardio na Áustria, Leonardo Alenza e Eugenio Lucas Velázquez prolongam o legado de Goya na Espanha.

#31Théodore Chassériau

1819-1856 · Francês · romantismo

#32François-Auguste Biard

1799-1882 · Francês · romantismo

#33Honoré Daumier

1808-1879 · Francês · romantismo
Honoré Daumier (1808-1879) é um dos maiores artistas franceses do século XIX, ao mesmo tempo pintor, escultor, desenhista e caricaturista. Nascido em Marselha, em uma família modesta, mudou-se para Paris e se tornou o ilustrador oficial do jornal satírico La Caricature e, depois, do Charivari. Suas litografias políticas — Louis-Philippe em forma de pera, o rei dos Francos Gargantua — lhe valeram seis meses de prisão em 1832. Paralelamente a essa produção semanal (cerca de 4 000 litografias em quarenta anos), Daumier pintou a óleo cenas de rua, retratos, cenas de teatro e de audiência judicial que são obras-primas absolutas. O Vagão de terceira classe (por volta de 1862-1864), Os Jogadores de cegos (por volta de 1855-1860), A Lavadeira (por volta de 1860-1862) estão conservados no Musée d'Orsay. Quase cego em seus últimos anos, Daumier morreu em Valmondois em 1879. Uma reprodução de Daumier é a arte de observar o povo com a precisão de um entomologista e a ternura de um irmão. Atingido pela cegueira e pela pobreza em seus últimos anos, ele se retirou para Valmondois, onde morreu em 10 de fevereiro de 1879, quase esquecido pelo grande público. Foi nesse vilarejo do Val-d'Oise que alguns amigos, entre os quais Corot, velaram seu corpo. Seu reconhecimento póstumo começa já em 1878, com uma exposição, e se amplia quando Monet organiza a venda de seu ateliê em 1883, revelando enfim ao público a modernidade de sua obra esculpida e pintada.
Ler na Wikipedia Honoré Daumier

#34Jean-Baptiste-Camille Corot

1796-1875 · Francês · romantismo
Jean-Baptiste-Camille Corot (1796-1875) é o paisagista que preparou o impressionismo permanecendo fiel ao romantismo de sua juventude. Nascido em Paris, em uma família de negociantes de tecidos, tornou-se pintor tardiamente: só entrou no ateliê de Achille Etna Michallon em 1822, após a morte de seu pai, e depois no ateliê de Jean-Victor Bertin. Viajou pela Itália de 1825 a 1828, trazendo vistas de Roma e do campo romano com uma luz prateada que revolucionou a paisagem francesa. De volta a Paris, pintou Barbizon, Fontainebleau, as margens do Sena, em uma atmosfera vaporosa que anuncia os impressionistas. Tornou-se um dos pintores mais célebres de seu tempo, expôs sete vezes no Salon e doou muitas telas a seus amigos. No fim da vida, pintou figuras femininas em paisagens, leves fantasmas prateados. Corot morreu em 1875, lamentado por toda a jovem pintura. Uma reprodução de Corot é a luz da madrugada francesa fixada sobre a tela. Seu fim de vida foi marcado por uma glória tardia, porém fulgurante, coroada pela obtenção da Legião de Honra em 1867 e de uma segunda medalha na Exposição Universal. Vítima de um derrame cerebral em 1874, faleceu em Paris em 22 de fevereiro de 1875, em seu ateliê da rue du Paradis-Poissonnière. Suas paisagens crepusculares, banhadas por uma luz prateada, exercem até hoje uma influência profunda sobre a arte moderna.
Ler na Wikipedia Jean-Baptiste-Camille Corot

#35William Holman Hunt

1827-1910 · Britânico · romantismo

#36Thomas Couture

1815-1879 · Francês · romantismo

#37Gustave Doré

1832-1883 · Francês · romantismo

#38Ferdinand Georg Waldmüller

1793-1865 · Austríaco · romantismo

#39Leonardo Alenza

1807-1845 · Espanhol · romantismo

#40Eugenio Lucas Velázquez

1817-1870 · Espanhol · romantismo

Prolongamentos simbolistas, prerafaelitas e italianos (1850-1900)

Moreau, Rossetti, Millais, Hayez — o pós-romantismo

Os últimos fogos do romantismo: os Pré-Rafaelitas britânicos (Rossetti, Millais, Hunt, Burne-Jones) reinventam uma Idade Média idealizada. Do lado francês, Gustave Moreau, Odilon Redon, Alexandre Cabanel e William-Adolphe Bouguereau fazem flutuar o sonho e a alegoria acima do academismo. Na Rússia, Mikhail Vrubel prepara o simbolismo e a Art nouveau. Na Itália, Francesco Hayez encarna a última onda do romantismo italiano com O Beijo (1859), manifesto de uma sensibilidade nacional que sobreviverá até a unificação. Thomas Moran, do outro lado do Atlântico, fecha a marcha por volta de 1900, no momento em que o modernismo varre tudo à sua passagem.

#41Francesco Hayez

1791-1882 · Italiano · romantismo

#42Albert Bierstadt

1830-1902 · Americano · romantismo

#43Thomas Moran

1837-1926 · Americano · romantismo

#44Alexandre Cabanel

1823-1889 · Francês · romantismo

#45William-Adolphe Bouguereau

1825-1905 · Francês · romantismo
William-Adolphe Bouguereau (1825-1905) é o mestre absoluto da pintura acadêmica francesa da segunda metade do século XIX. Nascido em La Rochelle, venceu o Prix de Rome em 1850 e fez toda a sua carreira em Paris. Seus nus femininos mitológicos, cenas bíblicas, retratos de crianças e composições religiosas alcançam uma virtuosidade técnica sem igual, que lhe vale enorme celebridade em vida — foi membro do Institut, comendador da Legião de Honra, exposto no mundo inteiro. Ao mesmo tempo, foi um dos alvos favoritos dos pintores modernos — Manet, Degas, Monet e os impressionistas o consideravam a encarnação do academismo empoeirado. Por muito tempo esquecido, sua obra vive um revival desde os anos 1980 por sua perfeição formal. É também a continuação do romantismo: suas ninfas, anjos e madonas conservam a emoção íntima e o gosto pelo patético que animavam Géricault e Delacroix. Morre em 1905, deixando mais de 800 pinturas, hoje dispersas em museus do mundo. Sua longa carreira terminou na serenidade de um reconhecimento conquistado junto a um amplo público, enquanto a vanguarda preferia Manet e os impressionistas. Atacado de problemas cardíacos, faleceu em 19 de agosto de 1905 em sua cidade natal, La Rochelle, aos oitenta anos, deixando uma obra monumental de mais de oitocentos quadros.
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#46Gustave Moreau

1826-1898 · Francês · romantismo
Nascido em Paris em 1826, Gustave Moreau cresce em uma família onde a arte parece correr mais nas veias do que ser nela derramada: seu pai, arquiteto, e sua mãe, musicista, lhe oferecem um terreno ideal para florescer como esteta contrariado. Aluno medíocre no Collège Sainte-Barbe, já prefere desenhar figuras mitológicas em seus cadernos a ouvir os professores de grego. É em 1846, após o falecimento do pai, que finalmente ingressa na École des Beaux-Arts, no ateliê de François-Édouard Picot, onde aprende o rigor do desenho clássico. Completa sua formação com uma longa viagem à Itália, notamment a Roma, onde copia Rafael e Michelangelo com fervor, impregnando-se do Renascimento. De volta a Paris, escolhe deliberadamente a marginalidade: nada de carreira oficial barulhenta, nada de Salão anual.
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#47Odilon Redon

1840-1916 · Francês · romantismo
Redon, Odilon (Bertrand-Jean Redon, dito Odilon). Nascido em Bordeaux em 1840, esse filho de burgueses impregnado de conforto provincial poderia ter levado uma vida pacata no comércio do pai se uma doença infantil — notamment um sarampo complicado por um colapso nervoso por volta dos onze anos — não o tivesse condenado a longos meses de solidão, nos quais descobriu, na leitura de Buffon e nos desenhos marginais que rabiscava, os territórios interiores que se tornariam seu material privilegiado. Matriculado na École des Beaux-Arts de Paris em 1864, sofre ali o ensino acadêmico de Rodolphe Bresdin, gravador excêntrico e boêmio, que lhe inocula o vírus do negro e do fantástico. Rejeitado pelo Salon oficial, recusando o impressionismo triunfante, Redon se dedica durante duas décadas a uma arte considerada marginal: seus carvões e litografias, reunidos em coletâneas como Dans le rêve (1879) ou Les Yeux clos (1890), fazem emergir um bestiário de pesadelo onde se cruzam aranhas titânicas, perfis ciclópicos e flores metafísicas que lembram tanto Goya quanto Gustave Moreau. O encontro com sua esposa Camille Falte, em 1880, seguido pela influência da botânica e do japonismo, o conduzem após 1890 a um segundo fôlego cromático: seus pastéis vibrantes, carregados de peônias, papoulas e buquês flutuantes, revelam uma sensualidade cromática que contrasta com a negritude anterior.
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#48Mikhail Vrubel

1856-1910 · Russo · romantismo

#49Dante Gabriel Rossetti

1828-1882 · Britânico · romantismo

#50John Everett Millais

1829-1896 · Britânico · romantismo
John Everett Millais nasce em 1829 em Southampton, em uma família originária de Jersey. Prodigiosamente precoce, ingressa aos onze anos de idade na Royal Academy Schools, tornando-se o aluno mais jovem jamais admitido nessa venerável instituição. Seu talento explode tão cedo que o próprio Charles Dickens evoca, não sem uma ponta de inveja, esse "pequeno prodígio" já capaz de perturbar as certezas dos jurados mais experientes. Millais falece em Londres em 13 de agosto de 1896, minado por um câncer de garganta. Primeiro pintor elevado à dignidade de baronete em 1885, recebeu a suprema honra de ser sepultado na catedral de São Paulo, ao lado das glórias do Império. Aos onze anos, entra na Royal Academy de Londres, onde se torna o aluno mais jovem jamais admitido. Em 1848, cofundou com Dante Gabriel Rossetti e William Holman Hunt a Confraria Pré-Rafaelita, movimento que prega um retorno à sinceridade dos primitivos italianos. Suas primeiras obras, como O Cristo na casa de seus pais, em 1850, despertam vivas polêmicas por seu realismo cru. A obra-prima Ofélia, pintada em 1852 a partir de uma modelo deitada em uma banheira, ilustra sua colaboração com John Ruskin e se torna um ícone do movimento. Presidente da Royal Academy a partir de 1896, agraciado com título de nobreza em 1885, recebe as honrarias da Coroa britânica. Morre em Londres em 13 de agosto de 1896, deixando uma obra abundante que marcou profundamente a pintura vitoriana.
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Pendure a tempestade romântica na sua sala

O romantismo é o movimento mais emocional da história da pintura: tempestades, naufrágios, crepúsculos, fantasmas. Uma reprodução fiel em tela, instalada em um ambiente com iluminação controlada, basta para evocar toda essa intensidade. Todas as obras deste Top 50 estão disponíveis em reprodução em tela na nossa coleção — com um cuidado especial dedicado à profundidade dos pretos, à vibração dos vermelhos e aos formatos originais que fazem toda a força desses quadros.

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